Salmo 1:1,2
“Bem-aventurado o homem que não anda segundo
o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na
roda dos escarnecedores.
Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e
na sua lei medita de dia e de noite.”
Bem
aventurado – Dicionário: Muito feliz, que é favorecido, que no céu gozará da
beatitude eterna.
Beatitude:
felicidade serena, sem inquietações.
Muitas vezes
ouvimos mensagens onde o pregador afirma veementemente que é necessário aceitar
a Jesus, segui-lo, para ser feliz. Isso com certeza é verdade, mas como alguém
que não tem nenhum vínculo com Deus, que vive totalmente alheio à sua Lei, pode
entender isto?
Todas as
pessoas, de certa forma, são felizes com a o caminho que trilham; se não existe
felicidade, com certeza a pessoa sofre de algum tipo de depressão.
Pessoas que frequentam
boates, bares e outros, são felizes assim. Pessoas que ganham a vida em
jogatinas são felizes assim. Pessoas viciadas em drogas de qualquer tipo, que se
prostituem, que roubam, pessoas violentas, todos são felizes com a vida que
têm; então fica difícil explicar de forma convincente os motivos pelos quais
elas precisam mudar de atitude para obter a felicidade.
Nesse salmo
aprendemos que ser “bem aventurado” é muito mais que ser simplesmente feliz, é
viver um estado de felicidade que nada pode abalar.
Difícil para
muitos entenderem a tranquilidade de um crente em momentos críticos da vida,
como a morte de uma pessoa próxima, mas é a maneira mais simples de evidenciar
a bem aventurança.
O texto nos
mostra algumas características de uma pessoa bem aventurada.
=> Ímpio - Que ofende os pais, a moral, a justiça;
que despreza a religião (religare – religar)
=>Pecador - aquele que comete pecados
=> Escarnecedor – aquele que zomba
Existe aqui
uma sequência nos acontecimentos; “não anda”.
Nossa vida é
como uma estrada, ela tem início e fim; essa estrada é delineada primeiramente
por nossos pais, que nos fornecem as bases éticas e morais; porém essa estrada
sofre variações. Mesmo que não houvesse convívio social, não seríamos cópias
perfeitas de nossos pais, pois temos nossa própria personalidade, nosso caráter
original, que é diferente de todos os outros. Por isso, por mais parecidos que
sejamos com alguém, sempre haverá diferenças de opiniões.
Mas nossa
vida é influenciada também pela sociedade, por pessoas com as quais convivemos
direta ou indiretamente, e é aí que entra o primeiro ensino do texto: não andar segundo o conselho dos ímpios. Um conselho não é só um aviso ou advertência,
pode ser também uma assembleia de pessoas que deliberam sobre determinados
assuntos, e aqui podemos usar as duas definições.
Não devemos
moldar nosso caminho segundo as orientações ou ideias de tais pessoas. É
importante salientar que o ensino não é que devemos cortar relações sociais com
tais pessoas, isso seria impossível e também não é a vontade de Deus (não vim
para curar sãos, mas doentes); o ensino é que não devemos conviver, ter as
mesmas atitudes, apreciar as mesmas coisas, ter os mesmos pensamentos.
Ora, se não
tomamos cuidado com o primeiro ensinamento e caminhamos o mesmo caminho dos
ímpios, não tardará o momento em que vamos nos deter nesse caminho.
Estaremos de
tal maneira acostumados a não evitar o caminho dos ímpios, que em determinado
momento algo vai nos chamar a atenção de tal forma que vamos nos deter. E o que
seria deter-se? Não é simplesmente parar; antes tínhamos aquele costume de “dar
uma caminhadinha” junto com os ímpios e depois voltar para a nossa estrada,
aquela que trilhávamos desde que nascemos; agora já não voltamos, agora a nossa
estrada está debaixo do caminho dos pecadores, e já não andamos sobre o chão
que andávamos, mas em um solo perigoso, cheio d buracos e armadilhas que se
confundem com o “asfalto” do caminho.
Nos detemos
nesse caminho porque brincamos com fogo, porque um dia achamos que éramos
fortes o suficiente para ir e vir quando quiséssemos e pensamos que esse ir e
vir não traria consequências. Agora nos detemos no caminho dos pecadores, agora
somos como eles e não nos importamos mais com o que nossos pais, irmãos ou
amigos (verdadeiros amigos) falam, agora estamos em um momento em que pensamos
ter o controle de tudo, pensamos que tudo o que aprendemos antes com aquelas
pessoas que Deus usou para nos orientar é bobagem, é coisa do passado, é apenas
ilusão.
Mas essa
caminhada, apesar de não parecer, é muito pesada, e começamos a nos sentir
cansados, pois toda a carga está sobre nossos ombros e não temos ajuda, mesmo
assim continuamos no caminho dos pecadores.
Chegará um
momento em que, seja pelo cansaço, seja por algo demasiadamente interessante,
nos assentaremos, e assentaremos junto aos escarnecedores, e faremos parte do
conselho dos ímpios, e já não seremos a pessoa que precisava tomar cuidado
contra tantas coisas, mas seremos integrantes de um grupo seleto de ímpios e
pecadores que escarnecem do nome de Deus, escarnecem das pessoas mais queridas
que nos advertem quanto ao caminho que seguimos, e nossa mente estará tão
cauterizada que não sentiremos vontade de sair desse caminho; um caminho que a
princípio era uma pista asfaltada e bem sinalizada, porém um engodo, e agora
estamos em uma trilha tão lamacenta que não conseguimos viver sem escorregar,
uma trilha na qual quanto mais andamos, mais fundo vão nossos pés.
Em 2ª Samuel
11 vemos a ocasião em que Davi trilhou o caminho dos ímpios e cometeu adultério
com Bate-Seba. Enquanto o exército estava na batalha ele estava em casa,
completamente desocupado.
Quantas
vezes o exército de irmãos está de prontidão para a batalha e nós estamos
desocupados; estamos despreocupados com a palavra de Deus, alheios à igreja,
escarnecendo de tudo o que aprendemos. Chegará o momento em que estaremos na
mesma situação de Davi, e pode ser que não tenhamos um profeta para nos chamar
de volta.
Como evitar
que isso aconteça? Está no versículo 2 do capítulo 1º de Salmos.
Os ímpios
receberão os castigos descritos nos versículos 4 e 5.
Não
brinquemos com fogo, não tentemos descobrir qual é o limite, não façamos parte
do conselho dos ímpios, não andemos no caminho dos pecadores e nem cheguemos a
ser parte integrante dos escarnecedores; que façamos sim parte do grupo de
pessoas bem aventuradas, que receberão suas recompensas, como está descrito no
versículo 3.
Pense como
está a sua vida; se você anda no caminho dos pecadores, arrependa-se e volte,
pois “Ele é fiel e justo para nos perdoar de toda a injustiça!”

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