Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os
seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que
nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que
se manifestem nele as obras de Deus. – João 9: 1 a 3
Certa vez fui confrontado a
respeito de idolatria; a pessoa que conversava comigo pretendia comprovar a
legitimidade do culto ou veneração aos santos. Segundo ela, o pregador havia
discorrido a respeito do texto apresentado em Números 21: 4 a 9. A argumentação baseava-se
na promessa de que Deus é imutável (Sl 102:25 a 27), com o intuito de embasar a
ideia de que as pessoas poderiam sim venerar santos e imagens, pois no deserto
Deus havia ensinado isso ao orientar a fabricação da serpente de bronze.
O que concluímos é que,
separando textos isolados, é possível (pelo menos frente á pessoas sem
conhecimento) embasar ensinos que na verdade não estão na Bíblia.
O texto que base de hoje nos
fala a respeito de um ensinamento que, se não olharmos com cuidado, podemos nos
enganar e aceitar como correto; porém é um dos mais equivocados que existem: a Maldição
Hereditária.
Na época, a cegueira era
comum; de nascença, catarata ou outras doenças oftalmológicas graves que ainda
não tinham cura. A questão é que muitos judeus erroneamente atribuíam as
doenças e necessidades especiais a castigo por pecados cometidos. Havia também
a incorreta interpretação de ensinamentos Bíblicos, isolando-se textos de seus
contextos e tendo como resultado entendimentos contrários ao que Deus nos
passou. Em Êxodo 20:5 Deus fala que é “Deus zeloso, que visita a iniquidade dos
pais nos filhos, até terceira e quarta geração...”; e esse é um dos textos
usados para tentar embasar o ensinamento da maldição hereditária. Mas, está
certo isso? Podemos mesmo sofrer por erros cometidos por nossos antepassados?
Ao argumentar a respeito das
imagens, o citado pregador que entregou a mensagem àquela pessoa omitiu o 1º
mandamento (Ex. 20:3 a 5 a),
omitiu também o relato de 2 Reis 18:4, onde
o rei Ezequias destruiu todos os ídolos que o povo de Israel vinha adorando
durante um longo período de distanciamento do Senhor, entre eles a serpente de
ouro (o motivo peo qual Deus ordenou a construção da serpente é tema para outra
oportunidade).
O mesmo erro acontece
referente à maldição hereditária, vejamos o que podemos aprender quanto à esta falsa
doutrina:
*Os defensores de tal
ensinamento dizem que pessoas que vivem problemas de depressão, alcoolismo, dependência
de drogas, etc., estão nessa situação por que um antepassado viveu situação
semelhante ou praticou esse pecado que é agora transmitido ao seu descendente.
Isso é uma mentira e podemos comprovar com os seguintes argumentos:
1 – Deus, ao citar que visita
a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração, não está
dizendo que castiga os filhos pelos pecados dos pais. Na época, a cultura
familiar era diferente de agora; os filhos viviam com os pais mesmo depois de
casar, e os filhos de seus filhos também. Assim, filhos, netos e até bisnetos
viviam junto com o patriarca. Ora, se o patriarca era idólatra, possivelmente
seus descendentes seguiriam seus passos. Visitar a iniquidade dos pais nos
filhos quer dizer que os mesmos pecados cometidos pelos pais eram praticado
pelos dos filhos, Deus castigava tanto os pais quanto os filhos pela mesma
categoria de pecado, se assim podemos dizer.
2 – Maldição não “pega” em
cristãos: Ver Gálatas 3:13 e 14 /
Números 23:8a
3 – Maldição hereditária nega
a culpa individual: Sou culpado pelos meus pecados, não pelos pecados de outras
pessoas, parentes ou não (ver Tiago 1:13 a 15 / Ezequiel 18:2 a 4, 20)
4 – Maldição hereditária nega
a eficácia da obra de Cristo: A morte e ressurreição de Cristo nos torna novas
criaturas (2 Coríntios 5:17), já nos libertou das trevas e nos transportou para
o reino do Filho do seu amor (Colossenses 1:13). Aprendemos em 1ª João 5:18 que
somos de Deus e o maligno não pode nos tocar.
Já com estes poucos
argumentos podemos ver que não é correto o ensino da existência de uma maldição
hereditária.
Tenhamos sempre me mente tudo
o que Deus já fez por nós e que somos d’Ele, um Deus bondoso e também justo,
que não pesa sua mão sobre filhos por causa de iniquidades dos pais, e nem
mesmo castiga os pais pelos erros de seus filhos.
Nossa vida é feita de
escolhas, e cada um sofre consequências de seus próprios atos.




